Preço da comida nas alturas: saiba como evitar desperdícios e reduzir os custos com alimentação

Com os preços dos alimentos subindo sem parar, abastecer a despensa pesa cada vez mais no bolso dos brasileiros. Em fevereiro, o custo médio de alimentação e bebidas subiu 0,70%, com destaque para ovos (15,39%) e café (10,77%), segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com o poder de compra das pessoas em queda, o que tem gerado até memes na internet (veja abaixo), o EXTRA ouviu especialistas para trazer dicas que ajudam a evitar desperdícios e economizar.

Um das formas é a utilização de partes das comidas que seriam jogadas fora, segundo Fernanda Chaves, nutricionista da Firjan SESI:

— Muitas partes de alimentos que costumamos descartar são extremamente nutritivas e podem ser aproveitadas. A casca da abóbora, por exemplo, pode ser cozida com o legume ou ralada e misturada ao arroz.

O SESI também oferece receitas e dicas de aproveitamento integral de alimentos no site Alimente-se Bem. Além disso, a organização oferece oficinas culinárias sobre aproveitamento integral dos alimentos nas empresas e nas comunidades por meio do Cozinha Brasil em suas cozinhas experimentais itinerantes. Com mais de 230 mil atendimentos realizados, o programa já passou por 85 municípios do Rio de Janeiro.

Ainda segundo Fernanda, pode-se substituir alimentos mais caros por opções mais acessíveis. No caso da carne bovina, um corte nobre pode ser trocado por um mais barato. Mas é preciso saber preparar:

— Basta deixar marinando por cinco a dez minutos, pois a bromelina, enzima presente na fruta, ajuda a quebrar as fibras, deixando a carne mais macia.

Descontos em alimentos perto do vencimento

Algumas soluções atuam contra o desperdício. Uma delas é a Food to Save, empresa que conecta consumidores com estabelecimentos do setor alimentício, que oferecem itens próximos da data de validade ou têm alguma imperfeição. Esses alimentos são agrupados nas “sacolas-surpresa” e vendidos com até 70% de desconto. Assim, o consumidor compra produtos que seriam descartados por um preço menor, mas os itens somente são revelados quando chegam para o cliente.

— O sigilo é para o estabelecimento continuar oferecendo produtos no aplicativo pela possibilidade de o cliente deixar de comprar na loja pelo preço normal — diz Murilo Ambrogio, cofundador da Food To Save.

A Food To Save aponta que, no Estado do Rio, as sacolas de hortifruti têm sido as mais buscadas. A nutricionista Fernanda destaca a importância dos cuidados no armazenamento de legumes, verduras e frutas:

— Abacate, banana, batata e melão liberam etileno, um gás que acelera a deterioração de outros alimentos próximos. O consumidor precisa separá-los dos itens sensíveis, como brócolis, cenoura, abóbora, abobrinha, pepino e folhas verdes.

Inflação nas redes

Internautas têm repercutido a alta dos preços com memes na internet. Confira alguns:

Ação ensina moradores a usar cascas de legumes

No Estado do Rio, 62% do lixo doméstico produzido pelas famílias é composto por alimentos desperdiçados, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Na contramão disso, a iniciativa Favela Orgânica ensina moradores de comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio, a aproveitarem ao máximo os alimentos na hora de cozinhar.

— O miolo do chuchu, por exemplo, pode ser usado para fazer um estrogonofe, enquanto a casca pode ser transformada em um hambúrguer ou um vinagrete, substituindo ingredientes mais caros como o pimentão — diz Regina Tchelly.

As inscrições para o curso, que acontece ao longo de dez meses, são divulgadas no Instagram do projeto (@favela_organica) e também nas próprias comunidades. Neste ano, o início das inscrições está previsto para abril.

Ação do governo

Desde a última sexta-feira, o governo zerou os impostos de importação de uma série de alimentos, como parte de um pacote de medida para conter a alta dos preços. Na lista dos itens que podem ficar mais baratos estão óleo de girassol, azeite de oliva, sardinha, biscoitos, café, carnes e massas.

Para o economista André Braz, coordenador de Índices de Preços da FGV, essas medidas não vão ajudar por muito tempo na redução dos preços:

— Isso não resolve o problema de médio e longo prazo porque fenômenos climáticos, que afetam muito as safras dos produtos, estão ficando cada vez mais frequentes.

Um estudo do economista mostra que as famílias que ganham de 1 a 1,5 salário mínimo (de R$ 1.518 a R$ 2.277) gastam 21,8% da renda com alimentação. Em 2020, o índice era 19,3%. Com aumento do percentual da renda dedicada a alimentação, houve redução os valores gastos com habitação (-1%) e artigos de residência (-0,9%) nos últimos cinco anos.

Como economizar

Atenção ao Armazenamento

Organize a geladeira e a despensa da casa seguindo a metodologia do Primeiro que Vence, Primeiro que Sai (PVPS). Ponha os itens com validade mais curta para serem consumidos primeiro. Alimentos prontos duram de três a quatro dias na geladeira. Se a quantidade preparada for grande, congele parte para evitar perdas.

Alimentos com pequenas imperfeições

Alguns mercados e aplicativos de alimentos oferecem vegetais e frutas com desconto, como o Food To Save. Geralmente, esses itens têm pequenas imperfeições ou estão próximos da data de vencimento. Embora tenham baixo valor comercial, estão próprios para o consumo.

Alimentos da temporada

Adaptar a dieta à sazonalidade dos produtos reduz custos. Por exemplo, o repolho agora está custando cerca de R$ 3 o quilo e pode ser um excelente substituto para outras hortaliças mais caras.

Promoções

Os supermercados têm dias específicos de promoções, como o “Dia da carne” e o “Dia do hortifruti”, e é interessante que a família divida tarefas para aproveitar as oportunidades. Use aplicativos de mercados para cupons de desconto e chegue na feira no fim do dia para encontrar preços menores.

Compras planejadas

Pesquisar preços antes de ir às compras ajuda bastante. Outra dica é nunca fazer compras com fome e sempre levar uma lista para evitar gastos por impulso.

5 dicas para evitar compras por impulso no Dia do Consumidor

Em 15 de março é comemorado o “Dia do Consumidor”, data em que marcas e varejistas aproveitam para impulsionar suas vendas, oferecendo descontos em seus produtos. O período se tornou um ponto estratégico, sendo considerado a “Black Friday do primeiro semestre”.

No entanto, para o consumidor, a oportunidade de adquirir bens deve ser realizada conscientemente, já que, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), produzida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, de fevereiro de 2025, cerca de 76,4% das famílias brasileiras se encontram endividadas; dessas, 28,6% estão com contas em atraso.

Porém, se você é um consumidor que está mais organizado financeiramente e deseja realizar compras na data, é preciso ficar atento para não fazer compras impulsivas ou que prejudiquem o seu planejamento. Por isso, abaixo, confira as dicas de Fernando Lamounier, educador financeiro e sócio executivo da Multimarcas Consórcios (administradora de consórcios)!

1. Defina um orçamento

Em primeiro lugar, defina um orçamento e, posteriormente, faça uma lista de desejos que esteja no cálculo. “Agir pela impulsividade, não colocando a dívida em perspectiva de longo prazo, é o principal erro em datas como essa”, revela Fernando Lamounier.

2. Pesquise valores com antecedência

Pesquisar valores com antecedência e acompanhá-los durante a Semana do Consumidor é o ideal para saber se a promoção pode ser considerada válida. Isso porque muitos sites e lojas aumentam o preço dos produtos semanas antes do Dia do Consumidor e, no dia do evento, oferecem um “desconto”, dando ao cliente uma falsa sensação de economia.

O cartão de crédito deve ser usado com cuidado para evitar entrar no vermelho (Imagem: Kite_rin | Shutterstock)

3. Use com cautela o cartão de crédito

O meio de pagamento deve ser usado com cuidado. A dica para não entrar no vermelho é mapear a renda total, separar as despesas fixas no orçamento e esquematizar as despesas variáveis. “O cartão de crédito é visto como uma extensão do orçamento mensal. O parcelamento leva o consumidor a acreditar que dividir uma compra faz a dívida ficar menor quando, na realidade, antecipa as dívidas do próximo mês. Se você tiver algum imprevisto e não conseguir pagar a fatura, ainda terá como desvantagem o pagamento de juros”, alerta Fernando Lamounier.

4. Preste atenção nas condições de frete

Outro ponto de atenção para se ter é quando as empresas barateiam o custo de produtos em “promoções”, e tendem a recuperar o valor do desconto por meio da cobrança de um frete abusivo para envio da compra.

5. Verifique a procedência dos locais de compra

Essa dica vale principalmente para as compras online. É importante ficar atento a autenticidade de sites, principalmente quando estes vêm por meio de redirecionamento de links, enviado os compradores para sites fraudulentos que podem aplicar golpes. Por isso, é importante ler “as avaliações de outros compradores e, quando em contato com um atendimento, observe comportamentos suspeitos, sempre tendo calma e paciência para finalizar quaisquer aquisições”, finaliza Fernando Lamounier.

Por Alexandre Ribeiro

Distritais sugerem alíquota zero para impostos da cesta básica

Deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) apresentaram, nesta terça-feira (12/3), um documento sugerindo ao governador Ibaneis Rocha (MDB) a adoção de medidas tributárias, visando fixar alíquota zero para impostos incidentes sobre a comercialização de produtos integrantes da cesta básica.

O documento é assinado pelos parlamentares Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Valle, todos do Partido dos Trabalhadores (PT). De acordo com o texto, a inflação de alimentos tem um impacto profundo e direto na população, especialmente entre os grupos mais vulneráveis e de menor renda.

“Com o aumento constante nos preços dos alimentos, as famílias de baixa renda enfrentam a diminuição do seu poder de compra, resultando em uma dieta menos variada e nutritiva”, alerta o documento.

Os distritais lembraram que o governo federal reduziu a zero toda e qualquer alíquota ou tarifa de importação de produtos como café, macarrão e massas, sardinha, biscoitos e carnes. O Correio apurou que a bancada do PT também enviou um ofício ao governador, com o mesmo pedido.

A intenção do pedido é “sensibilizar” Ibaneis Rocha a “adotar medidas de alinhamento das ações locais com o governo federal, como a isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os produtos integrantes da cesta básica”.

“Hoje, esses produtos, em razão da Lei nº 7.371/2021, são taxados em 7% de ICMS e a adoção da alíquota zero de imposto pode contribuir significativamente para a redução dos preços desses alimentos”, afirma o texto. “Ao retirar ou reduzir a carga tributária sobre itens essenciais, o governador pode aliviar a pressão sobre os orçamentos familiares e garantir que os grupos mais vulneráveis tenham acesso a alimentos básicos”, acrescentou.

Procurado pela reportagem, o governador Ibaneis Rocha disse que ainda não recebeu o documento da CLDF e que, caso receba, “não vai fazer” o que está sugerido no texto.

Grêmio identifica Lyanco, do Atlético, como potencial reforço para a zaga

O Grêmio não se mostra satisfeito com as suas contratações durante o momento em que era possível negociar com mercados internacionais. Isso porque o clube entende que ainda é necessário preencher algumas lacuna no elencos. Assim, o planejamento do Imortal é aproveitar o período da janela doméstica e fechar com mais dois jogadores. Uma das prioridades é qualificar a zaga. Neste cenário, Lyanco, do Atlético, se enquadra no perfil ideal que os gaúchos traçaram para a posição. A informação é do portal “Gaúcha ZH”.

Apesar do interesse no jogador, o Tricolor gaúcho entende que precisará fazer um grande esforço para ter um desfecho positivo nas tratativas. Afinal, Lyanco é uma das principais peças no atual elenco do Galo, além de ser um dos mais utilizados no setor. Prova disso é que esteve em 10 dos 13 compromissos da equipe até aqui no ano. Como o defensor está nos planos do clube mineiro e do técnico Cuca, o Grêmio terá que enviar uma oferta com uma atrativa compensação financeira.

A janela doméstica tem início nesta segunda-feira (10) e fica aberta até o dia 11 de abril. Durante a “era Renato Gaúcho”, uma das principais críticas do time era a sua fragilidade defensiva. Por isso, o clube decidiu fazer uma reformulação neste setor do Imortal.

A equipe até apresentou um crescimento defensivo mesmo no começo do trabalho do técnico Gustavo Quinteros, mas a análise é que não seja suficiente. Nesta primeira fase da janela de transferências, o Tricolor Gaúcho conseguiu fechar com apenas um reforço para a zaga: Wagner Leonardo. Por sinal, tratou-se de uma transferência que, a princípio, não era uma das opções prioritárias do clube.

Entretanto, as conversas avançaram rapidamente desde o início até a conclusão. Anteriormente, o Grêmio tentou Marcão junto ao Sevilla, da Espanha, por empréstimo de uma temporada. As tratativas não avançaram porque a oferta salarial não agradou ao jogador. Posteriormente, o alvo passou a ser Jhohan Romaña, do San Lorenzo, da Argentina.

O Grêmio insistiu não contratação do defensor colombiano até o último dia da janela internacional, já que enviou três propostas. As partes até chegaram a um consenso sobre um valor, mas não obtiveram sucesso em finalizar a negociação.

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Tarifas de Trump podem abalar liderança da China como potência industrial?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atingiu a China com a imposição de uma nova tarifa, o que significa que as importações do país asiático agora estão sujeitas a uma taxa de pelo menos 20%.

Esta é sua mais recente investida contra Pequim, que já enfrenta tarifas pesadas de Washington — de 100% sobre veículos elétricos até 15% sobre roupas e calçados fabricados na China.

As tarifas de Trump atingem o coração do rolo compressor da indústria chinesa — uma rede de fábricas, linhas de montagem e cadeias de suprimentos que produzem e exportam praticamente tudo, de fast fashion e brinquedos a painéis solares e carros elétricos.

O superávit comercial da China com o mundo atingiu um valor recorde de US$ 1 trilhão em 2024, devido às fortes exportações (US$ 3,5 trilhões), que superaram as importações (US$ 2,5 trilhões).

Há muito tempo a China é a fábrica do mundo — o país prosperou devido à mão de obra barata e ao investimento estatal em infraestrutura desde que abriu sua economia para os negócios globais no fim da década de 1970.

Mas até que ponto será que a guerra comercial de Trump poderia prejudicar o sucesso da manufatura chinesa?

O que são tarifas, e como elas funcionam?

As tarifas são impostos cobrados sobre mercadorias importadas de outros países.

A maioria das tarifas é definida como uma porcentagem do valor das mercadorias e, geralmente, é o importador que as paga.

Assim, uma tarifa de 10% significa que um produto importado da China pelos Estados Unidos, no valor de US$ 4, teria uma taxa adicional de US$ 0,40 aplicada a ele.

Trump vê as tarifas como uma forma de fazer crescer a economia dos EUA, proteger empregos e aumentar a receita fiscal

O aumento do preço dos produtos importados tem o objetivo de incentivar os consumidores a comprar produtos nacionais mais baratos, ajudando assim a impulsionar o crescimento da sua própria economia.

Trump vê as tarifas como uma forma de fazer crescer a economia dos EUA, proteger empregos e aumentar a receita tributária. Mas estudos econômicos sobre o impacto das tarifas que Trump impôs durante seu primeiro mandato sugerem que as medidas acabaram aumentando os preços para os consumidores americanos.

O presidente afirmou que suas tarifas mais recentes têm como objetivo pressionar a China a fazer mais para impedir o fluxo de fentanil, um poderoso opioide, para os Estados Unidos.

Ele também impôs tarifas de 25% sobre seus vizinhos, México e Canadá, dizendo que os líderes destes dois países não estavam fazendo o suficiente para reprimir o comércio ilegal de drogas entre as fronteiras.

As tarifas de Trump podem prejudicar as fábricas da China?

Sim, dizem os analistas.

As exportações têm sido a “salvação” da economia chinesa e, se os impostos permanecerem, as exportações para os EUA podem cair de um quarto a um terço, afirmou Harry Murphy Cruise, economista da Moody’s Analytics, à BBC.

O enorme valor das exportações da China — que representam um quinto das receitas do país — significa que uma tarifa de 20% poderia enfraquecer a demanda do exterior, e reduzir o superávit comercial.

“As tarifas vão prejudicar a China”, disse à BBC Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para a região da Ásia-Pacífico do banco de investimento Natixis, em Hong Kong. “Eles realmente precisam fazer muito mais. Eles precisam fazer o que Xi Jinping já disse: aumentar a demanda interna.”

Essa é uma tarefa difícil em uma economia em que o mercado imobiliário está em baixa, e os jovens desiludidos estão lutando para encontrar empregos bem remunerados.

Os chineses não estão gastando o suficiente para revitalizar a economia — e Pequim acaba de anunciar uma série de medidas de estímulo para impulsionar o consumo.

Embora as tarifas possam desacelerar a produção chinesa, elas não podem pará-la ou substituí-la tão facilmente, dizem os analistas.

A China já havia começado a mudar seu foco — da fabricação de roupas e sapatos para tecnologia avançada, como robótica e inteligência artificial

“A China não é apenas o grande exportador — às vezes, é o único exportador, como no caso dos painéis solares. Se você quiser painéis solares, só pode recorrer à China”, explica Garcia-Herrero.

A China já havia começado a migrar da fabricação de roupas e calçados para tecnologia avançada, como robótica e inteligência artificial (IA), muito antes de Trump se tornar presidente. E isso deu à China uma vantagem competitiva, sem falar da escala de produção na segunda maior economia do mundo.

As fábricas chinesas podem produzir tecnologia de ponta em grandes quantidades a um baixo custo, destaca Shuang Ding, economista-chefe para a China do banco Standard Chartered.

“É realmente difícil encontrar um substituto… O status da China como líder de mercado é muito difícil de derrubar.”

Como a China está reagindo às tarifas de Trump?

A China respondeu retaliando com tarifas de 10% a 15% sobre produtos agrícolas, carvão, gás natural liquefeito, caminhonetes e alguns carros esportivos dos EUA.

Além disso, impôs restrições de exportação para os EUA, atingindo empresas americanas de aviação, defesa e tecnologia, e anunciou uma investigação antimonopólio contra o Google.

A China também passou anos se adaptando às tarifas do primeiro mandato de Trump. Alguns fabricantes chineses transferiram suas fábricas para fora do país, por exemplo. E as cadeias de suprimentos passaram a depender mais do Vietnã e do México, exportando de lá para burlar as tarifas.

Mas as recentes tarifas de Trump sobre o México não prejudicariam muito a China, uma vez que o Vietnã é uma porta de entrada maior para os produtos chineses, observa Garcia-Herrero.

“O Vietnã é o segredo aqui. Se forem impostas tarifas ao Vietnã, acho que será muito difícil”, diz ela.

O DeepSeek chocou o Vale do Silício e desconcertou Washington ao lançar um chatbot que rivaliza com o ChatGPT, da OpenAI

O que preocupa a China mais do que as tarifas, segundo os analistas, são as restrições impostas pelos EUA aos chips avançados.

Estas restrições têm sido um dos principais pontos de atrito entre os dois países, mas também alimentaram a determinação da China de investir em tecnologia nacional que seja independente do Ocidente.

É por isso que a empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek chocou o Vale do Silício e desconcertou Washington quando lançou um chatbot que rivaliza com o ChatGPT, da OpenAI. A empresa teria supostamente estocado chips da Nvidia antes de os EUA começarem a restringir o acesso da China aos chips mais avançados.

Embora isso possa “afetar a competitividade da China, não acho que afetaria o status da China como uma potência industrial”, avalia Ding, do Standard Chartered.

Por outro lado, qualquer terreno que a China ganhe na fabricação de tecnologia avançada, vai impulsionar suas exportações de grande valor.

Como a China se tornou uma superpotência industrial?

Isso aconteceu devido ao apoio do Estado, a uma cadeia de suprimentos incomparável e à mão de obra barata, dizem os analistas.

“A combinação da globalização, das políticas a favor dos negócios e o potencial de mercado da China, ajudaram a atrair a onda inicial de investidores estrangeiros”, explicou Chim Lee, analista da consultoria The Economist Intelligence Unit, à BBC.

Em seguida, o governo dobrou a aposta, investindo fortemente na construção de uma ampla rede de estradas e portos para trazer matérias-primas e levar os produtos fabricados na China para o mundo. O que também ajudou foi uma taxa de câmbio estável entre o yuan chinês e o dólar americano.

A migração nos últimos anos para a tecnologia avançada garantiu que a China continuasse a ser relevante e estivesse à frente de seus concorrentes, dizem os analistas.

É muito difícil substituir a China como a fábrica do mundo, afirmam os analistas

A China já tem bastante influência econômica por ser uma potência industrial. Mas há também uma oportunidade política, uma vez que as tarifas de Trump estão alterando o relacionamento dos Estados Unidos com o mundo.

“A porta está entreaberta para a China se posicionar como defensora do livre comércio e uma força global estável”, diz Cruise, da Moody’s.

Mas isso não é fácil, já que Pequim foi acusada de violar as normas de comércio internacional — impondo, por exemplo, uma tarifa de mais de 200% sobre as importações de vinho australiano em 2020.

Os analistas dizem que a China também precisa olhar para além dos EUA, que ainda é o principal destino de suas exportações. A China é o terceiro maior mercado para as exportações dos EUA, depois do Canadá e do México.

O comércio chinês com a Europa, o Sudeste Asiático e a América Latina vem crescendo, mas é difícil imaginar que as duas maiores economias do mundo possam deixar de depender uma da outra.

Como usar o saque do FGTS: quitar dívidas, criar reserva ou investir?

A Caixa Econômica Federal iniciou a liberação do saldo retido no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário na quinta-feira (6/3). A medida provisória, que autoriza o saque dos valores retidos para brasileiros que foram demitidos entre 2020 e fevereiro de 2025, terá o valor total liberado de R$ 12 bilhões para mais de 12 milhões de trabalhadores.

Para os saques de até R$ 3 mil, os recursos serão creditados diretamente na conta bancária cadastrada. Já quem tem direito ao saldo superior a R$ 3 mil, receberá o restante em uma segunda parcela a partir de 17 de junho.

Para os brasileiros que estão endividados, a melhor opção é quitar os débitos, conforme aconselha o especialista em finanças pessoais e investimentos, Renan Diego. De acordo com ele, essa é a melhor opção, já que os juros de uma dívida são sempre muito maiores do que os juros que você vai receber de um investimento.

No entanto, ele ressalta que existem dois tipos de dívida, a ruim e a boa. “A ruim é aquela em que você está negativado, quando não está conseguindo quitar as prestações, e em consequência acaba sujando o nome. Então, se é possível tirar o FGTS para finalizar esse débito, faça isso”, diz.

“Para quem tem um financiamento de um carro ou de uma casa, o que demora de 10 a 30 anos, e você consegue pagar todos os meses, essa é uma dívida boa, porque ela cabe no orçamento e é considerada uma despesa mensal”, indica Renan.

Ainda de acordo com o especialista, para os brasileiros negativados que buscam quitar as dívidas consideradas ruins, é recomendado procurar pelos Feirões Limpa-Nome, promovidos pela Serasa. “Vale ressaltar que só faz sentido utilizar o saque do FGTS se esse valor for o necessário para quitar a dívida por inteiro. Isso porque não faz sentido usar o benefício para pagar somente uma parcela da quantia, principalmente por conta dos juros”, afirma.

Outra dica para quem possui dívidas é iniciar o contato com as instituições que elas tenham essa pendência, informando que irão receber esse valor e que querem quitá-las de uma vez por todas. Mesmo que não tenha o valor total do débito, é interessante para as instituições financeiras zerarem a dívida, mesmo que seja por um valor mais descontado.

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Para o especialista em finanças, o planejamento financeiro também é fundamental. Com a construção de uma reserva de emergência uma segurança maior será proporcionada. Sem precisar, por exemplo, recorrer a empréstimos na hora do aperto, que sempre possuem juros muito altos. “Existe o padrão, o básico é que você tem uma reserva financeira e todo mundo precisa ter. Mas, cada pessoa tem um sonho e um desejo, com esse planejamento, é possível financiar um imóvel e quitá-lo o quanto antes”, destaca.

“O mesmo acontece com a compra de veículos, também há quem sonha em conhecer o mundo e sabemos que viagens internacionais também são caras, com a reserva é possível alcançar essa meta com um pouco mais de facilidade”, acrescenta.

Segundo Renan Diego, para quem não possui dívidas e já possui uma reserva financeira, e procura aplicar o saque do FGTS, há uma vasta cartela de opções de investimentos a depender do perfil do investidor.

É possível iniciar investimentos que têm uma liquidez diária, como Tesouro Selic, que é o investimento mais seguro do país, além de poder tirar o dinheiro a qualquer momento. “Se a pessoa já tem uma reserva, que já está em uma liquidez diária, já consegue tirar a qualquer momento, o segundo passo é começar a investir com foco na sua aposentadoria”, aconselha.

“Isso é possível através de investimentos de longo prazo, ou seja, que são atrelados ao IPCA. Como, por exemplo, Tesouro IPCA+, que protege o seu dinheiro contra a inflação e começa a colocar em fundos de investimento mobiliário”, acrescenta.

Veja o que pode ficar mais em conta no mercado, após governo reduzir imposto de importação dos alimentos

Para tentar frear a alta dos preços dos alimentos no país, o governo federal vai apostar na retirada do imposto de importação sobre alguns produtos. O objetivo da medida é elevar a oferta no mercado nacional, o que pode levar à redução do custo de vida.

As decisões foram anunciadas ontem pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin. Veja a seguir quais produtos estão no alvo das medidas e que podem ficar mais baratos, caso a estratégia do governo dê certo.

Além disso, o governo tomará outras medidas que podem baratear os custos do varejo de alimentos:

Flexibilização da fiscalização sanitária: Por um ano, produtos de origem animal poderão circular entre estados e municípios sem passar pelo sistema de inspeção sanitária nacional. Bastará a fiscalização municipal.

Fortalecimento dos estoques reguladores: Esses estoques são uma reserva de alimentos comprados pelo governo quando os preços estão baixos. Eles foram praticamente zerados em governos anteriores e estão hoje em níveis baixos.

Estímulo à publicidade dos melhores preços: O governo prevê uma parceria com os atacadistas para selecionar uma lista de produtos em promoção e divulgá-la aos consumidores.

Plano Safra com foco na cesta básica: Sem dar detalhes, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o governo quer que os alimentos da cesta básica tenham prioridade no programa.

Pleito aos governadores para reduzir o ICMS sobre a cesta básica: Alckmin destacou que o governo federal zerou os tributos sobre cesta básica, mas que alguns produtos têm incidência de ICMS. Segundo ele, será feito um “apelo” aos governadores.

Especialistas veem impacto limitado

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, as medidas anunciadas não serão efetivas e correm o risco de futuramente serem confundidas com a esperada redução de preço dos alimentos diante da colheita de uma safra maior de grãos neste ano, ao longo dos próximos meses, como prevê o setor agricultor.

— A produção no Brasil (dos alimentos em que a alíquota de imposto de importação foi zerada) já é muito grande, como café e carnes. Para setores que produzem muito no mercado doméstico, zerar a alíquota de importação é mais uma questão de marketing do que real impacto — diz.

Alívio momentâneo

Para Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, as medidas podem trazer um pequeno e momentâneo alívio em alguns preços, mas não será duradouro:

— São medidas que podem ser efetivas no curto prazo, trazem um alívio pequeno. Mas não resolvem o problema em si, que são de taxa de câmbio mais alta, pressões que vêm de oferta menor aqui e lá fora. Ou seja, não são medidas que perdurarão muito tempo se não atacarem os problemas em si — diz.

Para a especialista, medidas como estoque regulador, aumento de publicidade sobre preços em supermercados e a anunciada flexibilização de medidas fitossanitárias entre municípios não devem surtir em redução significativa do preço nas gôndolas.

O que pensam os empresários?

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi, avalia que a isenção de imposto para os produtos que já são importados terá efeito imediato, a curto prazo. Já para os produtos que ainda não o fluxo de importação, como o açúcar, será necessário aguardar a entrada dos itens e ver a reação do mercado para o aumento de oferta.

— A expectativa é de queda dos preços. Foram analisados produtos em que o Brasil é tão ou mais competitivo do que ja é, e produtos que não produzimos aqui, importamos, e mesmo assim vem com tarifa. Neste caso, é óbvio que os produtos ficarão mais baratos. O outros, que ainda não temos fluxo comercial (de importação), vamos ter que analisar o comportamento. Como ainda não temos séries históricas desses produtos, não conseguimos dizer, mas é uma tentativa séria e estudada. É momento de união, para termos mais competitividade, para beneficio do consumidor.

Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rodrigo Santin, as medidas foram afinadas entre governo e setor. Ele avalia que a entrada de importados não representa risco para produtos nacionais competitivos e já consolidados.

— Nos comprometemos a participar dos esforços para redução de preços. Me pareceu que ficou acertado todo mundo ficou acertado. Os mercados serão complementares — disse.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, considerou positiva a redução de importação de carne bovina proposta pelo governo e estima que o preço do produto pode cair entre 7% e 10% assim que a medida for implementada.

Ele também elogiou a redução da alíquota de importação de insumos da cadeia, como o milho, que atualmente é taxado em 7,5%.

— Não haverá prejuízo já que nossa indústria é bastante competitiva. O preço da carne já está em queda pela sazonalidade e com a Quaresma tende a cair mais. As medidas são positivas, especialmente a redução do imposto sobre os insumos — disse Perosa.

Ele também avaliou como positiva a iniciativa do governo de estimular os estados a reduzirem o ICMS sobre a cesta básica. O imposto varia de 6% a 20%, dependendo do estado, segundo o dirigente.

O monstro-de-gila, lagarto de digestão lenta que foi essencial na criação do Ozempic

É uma pequena criatura, de pele brilhante e escamosa, que vagueia pelos desertos da América do Norte com passos lentos e que, indiretamente, serviu para promover uma revolução farmacológica.

Seu nome científico é Heloderma suspectum, mas a maioria das pessoas conhece este réptil como monstro-de-gila.

E embora sua mordida venenosa possa causar sérias complicações para um ser humano — em novembro de 2024, um homem morreu no Estado do Colorado, nos EUA, após ser mordido por seu monstro-de-gila de estimação —, este pequeno animal um tanto desajeitado está por trás de uma das descobertas médicas que mais prometem salvar vidas no futuro.

Em seu veneno, pesquisadores descobriram uma enzima que inspiraria os cientistas a desenvolver medicamentos que aumentam a atividade do receptor GLP-1, que hoje são vendidos nas farmácias com os nomes Ozempic, Wegovy e Mounjaro — e prometem ser uma revolução no combate ao diabetes tipo 2 e à obesidade.

Assim como o monstro-de-gila foi a espécie-chave para o desenvolvimento destes medicamentos, o estudo do veneno de outros animais também já rendeu avanços importantes, como o desenvolvimento de medicamentos para controle da pressão arterial e anticoagulantes.

Mas, afinal, o que há de tão especial neste lagarto? E como é possível obter a partir de uma de suas toxinas, um dos medicamentos mais promissores das últimas décadas?

O veneno do monstro

A semaglutida gerou uma revolução no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade

“As toxinas evoluem para desempenhar funções muito específicas, como se defender contra predadores ou incapacitar suas presas”, explica à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, o professor Kini, que dedicou sua vida a explorar diferentes tipos de toxinas para encontrar usos alternativos para elas.

No caso do monstro-de-gila — uma das duas espécies de lagartos venenosos nativos da América do Norte — seu veneno evoluiu para imobilizar pequenas presas, devido à sua falta de agilidade.

O que os cientistas descobriram é que, além de ter um efeito sobre a presa, um hormônio presente no veneno do monstro-de-gila parecia ajudar o metabolismo deste lagarto a desacelerar a tal ponto, que ele é capaz de sobreviver por até um ano com apenas seis refeições, de acordo com a Universidade de Queensland, na Austrália.

Ao isolá-lo, os pesquisadores descobriram que este hormônio, que chamaram de exendina-4, era muito semelhante ao GLP-1, uma substância que o ser humano produz naturalmente para regular os níveis de açúcar no sangue após as refeições.

No entanto, a exendina-4 é diferente do GLP-1 em uma característica fundamental: enquanto o GLP-1 humano deixa o corpo rapidamente por meio de mecanismos de excreção natural, a exendina-4 permanece por mais tempo no organismo, o que faz com que seu efeito na regulação da glicose seja mais duradouro.

Isso fornece a base para o desenvolvimento de medicamentos que atuam como agonistas do receptor de GLP-1.

De tóxico a terapêutico

Os monstros-de-gila passam a maior parte de suas vidas escondidos, e os cientistas acreditam que seu veneno tem tanto a ver com defesa quanto com ataque

A primeira grande aplicação prática da exendina-4 foi no desenvolvimento de um medicamento chamado Byetta (exenatida), especificamente para tratar diabetes tipo 2.

Este tratamento ajuda a reduzir os níveis de glicose e, com pequenas modificações, lançou as bases para outros compostos mais resistentes e duradouros, como a semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy).

“É impressionante como uma mudança em um ou dois aminoácidos pode fazer com que a molécula dure mais tempo na corrente sanguínea, mantendo ou até mesmo aumentando sua eficácia terapêutica”, diz Kini à BBC News Mundo.

No caso da semaglutida, ele explicou, o que foi feito foi adicionar uma cadeia de ácidos graxos que a liga à albumina sérica — a proteína no sangue que ajuda a transportar hormônios, vitaminas e enzimas pelo corpo —, o que faz com que ela permaneça na circulação por mais tempo.

Kini afirma, no entanto, que a semaglutida não é o único caso em que as toxinas serviram de base para o desenvolvimento de um medicamento.

Imitando a natureza

O veneno da Bothrops jararaca facilitou o desenvolvimento de medicamentos que ajudam milhares de pessoas a controlar a pressão arterial

Como destacou Kini, pesquisadores do mundo todo analisam venenos de diferentes espécies há décadas, revelando compostos que depois são transformados em medicamentos para uso em massa.

Segundo ele, “já na década de 1970, foi isolado um peptídeo do veneno da cobra brasileira Bothrops jararaca, que deu origem aos inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina)”, medicamentos que hoje são essenciais para o controle da pressão arterial e da insuficiência cardíaca.

Com o tempo, foram sintetizados produtos como o captopril e o enalapril, que ainda são receitados para milhões de pacientes ao redor do mundo.

Os exemplos são muitos: desde caracóis marinhos, cujas neurotoxinas permitem tratar a dor crônica quando modificadas em laboratório, até sanguessugas medicinais, cujo anticoagulante natural deu origem a medicamentos que reduzem o risco de embolias.

O princípio é sempre o mesmo: “As toxinas evoluem para causar efeitos muito precisos no organismo de suas presas ou predadores. Se conseguirmos isolar e compreender esses mecanismos, podemos transformar o veneno em um aliado terapêutico”, explica Kini.

O próprio Kini estuda o veneno de cobras e a saliva de mosquitos com o objetivo de desenvolver medicamentos que previnam danos ao coração após um ataque cardíaco e controlem problemas de diurese.

Em sua experiência, muitas destas toxinas apresentam pequenas variações em um ou dois aminoácidos que desencadeiam efeitos fisiológicos altamente específicos, sendo uma questão de isolá-las e modificá-las para criação de novas terapias.

Um futuro com toxinas

O estudo de toxinas continua sendo realizado com diferentes espécies

A experiência com o monstro-de-gila demonstra o potencial de combinar a biologia molecular, a farmacologia e o estudo detalhado de venenos.

Para Kini, o fato de um réptil relativamente lento e inofensivo à primeira vista —capaz de sobreviver com poucas refeições e portar um veneno estável —, ter fornecido a base para medicamentos revolucionários é uma amostra do que poderia ser encontrado em outras criaturas.

“Vivemos em uma era em que novas ferramentas nos permitem avançar mais rápido do que nunca. Ainda assim, o maior desafio costuma ser o financiamento: transformar uma descoberta de laboratório em um medicamento disponível comercialmente leva anos de ensaios clínicos e grandes investimentos”, ele adverte.

No entanto, ele acredita que os resultados mais do que justificam o esforço, especialmente considerando o profundo impacto de doenças como diabetes, obesidade e hipertensão.

“As próximas décadas podem nos reservar novas surpresas”, diz Kini.

“Podemos encontrar compostos ainda mais eficazes no veneno de algum outro animal, ou criar versões sintéticas que ataquem doenças por novos ângulos.”

Encontro da Hotelaria desbrava fronteiras e chega a Olímpia (SP)

Encontro da Hotelaria desbrava fronteiras e chega a Olímpia (SP) (Foto: Divulgação)

O ENCONTRO DA HOTELARIA, um dos mais importantes eventos da hotelaria brasileira, promovido pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação – FBHA, nesta edição conta com o patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC, e tem o apoio do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Região de São José do Rio Preto -SINHORES, da Associação Olimpiense de Hotéis, Pousadas, Bares e Restaurantes – AOHPBR, da Associação Comercial e Industrial de Olímpia – ACIO e da Prefeitura da Estância Turística de Olímpia.

Depois de percorrer dezesseis cidades mineiras: Belo Horizonte, Caxambu, Poços de Caldas, Juiz de Fora, Ouro Preto, Montes Claros, Governador Valadares, Capitólio, Uberlândia, Monte Verde, Confins-BH Airport, Tiradentes, Brumadinho, Pouso Alegre, Sete Lagoas e Araxá, Olímpia foi escolhida para receber 24ª edição do evento. A primeira no Estado de São Paulo.

24° Encontro da Hotelaria e Gastronomia

O 24° ENCONTRO DA HOTELARIA E GASTRONOMIA está previsto para acontecer de 26 a 28 de junho, na Arena Olímpia Shows & Eventos. Para Marcos Valério Rocha, coordenador do escritório regional FBHA em Minas Gerais, idealizador e organizador do evento, “realizar a vigésima quarta edição em Olímpia, sendo a primeira no Estado de São Paulo, é um grande desafio, pois São Paulo é o maior e mais dinâmico mercado hoteleiro do Brasil, sendo ao mesmo tempo o maior destino do turismo de negócios além de maior mercado emissor do país. Concentra a maioria das sedes das grandes redes de hotéis nacionais e internacionais atuantes no país. Detém o maior parque hoteleiro do Brasil, onde Olímpia ocupa um lugar de destaque”.

O evento tem como objetivos: analisar os cenários hoteleiros e turísticos, aprimorar a gestão, avaliar procedimentos operacionais e as tendências do mercado. Nesse evento, haverá a participação de profissionais, técnicos, consultores, professores e palestrantes de reconhecida experiência e conhecimento; palestras e debates sobre temas da atualidade contribuirão para o desenvolvimento do setor, favorecendo a realização de novos negócios por meio de uma mostra de produtos e serviços, com a participação das mais importantes empresas fornecedoras atuantes no Brasil.

Nas próximas semanas esta coluna divulgará o “card” dos palestrantes e painelistas especialmente selecionados para este evento, que pela primeira vez desbrava fronteiras das Minas Gerais e chega ao estado de São Paulo, maior polo emissor brasileiro em todos os segmentos do turismo.

O público do 24º Encontro da Hotelaria será composto de empresários, executivos e profissionais dos principais hotéis, pousadas, resorts de Olímpia e de diversas cidades do Estado, também dirigentes sindicais, presidentes de entidades, agentes de viagens, turismólogos, fornecedores, representantes da administração pública municipal e estadual, além de consultores e jornalistas especializados.

O evento desde sua primeira edição em 2006, visa contribuir para a atualização e capacitação empresarial e profissional, análise do cenário atual e das tendências do mercado. Renomados profissionais, todos gestores de destacada atuação no mercado falarão sobre suas respectivas visões e propostas de soluções para o crescimento sustentável do setor hoteleiro e gastronômico nos próximos anos.

Olímpia – parques aquáticos mais visitados do mundo

A cidade cujas origens remontam sitiantes vindos exatamente de Minas Gerais, completou neste domingo (2 de março) 122 anos. Quando fundada em 1903, era apenas uma colônia agrícola e neste espaço de tempo se transformando em um dos maiores polos turísticos do país, impulsionado em especial pelo crescimento do setor hoteleiro e dos citados parques aquáticos. De terras férteis a uma das referências nacionais do turismo, a trajetória do município reflete o desenvolvimento econômico, inovação e investimentos estruturais que consolidaram Olímpia como Estância Turística.

Desde sua fundação, Olímpia se destacou pela produção agrícola. A cultura do café, predominante no início do século XX, abriu caminho para a pecuária e, depois, para o cultivo de cana de açúcar.

Depois veio a laranja, daí a origem do nome do primeiro parque aquático: Thermas dos Laranjais nos anos 80. A vanguarda da modernização da lavoura e o fortalecimento da agroindústria impulsionaram a economia local, criando as bases para um destino em constante crescimento. Paralelamente ao agro, o município investiu em infraestrutura e planejamento urbano, resultando em melhorias significativas em áreas de saúde, educação e transporte. Essas iniciativas foram essenciais para a diversificação dos modais econômicos preparando Olimpia para um novo virtuoso ciclo de desenvolvimento: O Turismo.

Com o sucesso do Parque Thermas dos Laranjais o visionário empresário local, Benito Benatti reuniu seus sócios e investiu em novas atrações criando assim um destino turístico pulsante que trouxe consigo investidores do setor de hotelaria. Um após o outro começaram a surgir os grandes resorts e outros atrativos de lazer. O crescimento do turismo culminou com o surgimento do Hot Beach que a partir daí consolidou o destino como referência no setor.

Depois do Thermas e a chegada em peso da hotelaria foi preciso oficializar este “boom”. O reconhecimento aconteceu em 2014 quando a cidade foi elevada a categoria de Estância Turística resultado dos esforços comuns e harmônicos dos governos municipal e estadual. Esse status garantiu novos recursos e benefícios fiscais para robustos investimentos o que propiciou o crescimento da rede hoteleira, melhorias na mobilidade urbana e expansão dos muitos atrativos turísticos.

A evolução fez Olimpia atingir um novo patamar como primeiro destino a receber a denominação de Distrito Turístico do Estado de São Paulo, consolidando-se como um dos principais polos do país. Em 2021 era inaugurado o maior resort do país, o Solar das Águas Thermas Resort.

Situada na Região Metropolitana de São José do Rio Preto que compõe um total de 37 municípios cujo planejamento estratégico é totalmente integrado. Dos iniciais 709 leitos em 2009, Olimpia disponibiliza hoje um total de 32.680 leitos distribuídos entre resorts, hotéis, pousadas e casas de aluguel por temporada.

Em 2024 o destino recebeu 5 milhões de visitantes representado um aumento de 23% em relação ao ano anterior. No total são 9 resorts, 18 hotéis, 4 flats, 50 pousadas e cerca de 500 casas de locação por temporada com RHC (Registro de Hospedagem Caseira).

Desta forma o turismo responde hoje por 65% da movimentação econômica do município impactando fortemente na geração de empregos em toda região. Este ano como o pródigo calendário de feriados Olimpia estima obter novo crescimento em todos os seus indicadores chegando a 6 milhões de visitantes.

A construção do Aeroporto Internacional do Norte Paulista, em Olimpia, representa um novo marco para o desenvolvimento da cidade e toda região. Com investimentos acima de 100 milhões de Reais a obra será executada pela Infraero e deve ser concluída até meados do ano que vem consolidando Olimpia definitivamente como um dos principais polos turísticos e econômicos do interior paulista.

Localizado a cerca de 20 kms do centro da cidade o aeroporto possibilitará pousos e decolagens de aeronaves de grande porte, um terminal de passageiros moderno, áreas de embarque e desembarque e espaços de apoio ao turista. A expectativa é operar até 1 milhão de passageiros por ano o que será uma mola propulsora para a atividade hoteleira, comércio e serviços.

SAVE THE DATE > 24 a 26 de Junho. Estaremos lá!

“Neste aniversário de 122 anos, Olímpia celebra não apenas sua história, mas também um futuro promissor, onde turismo, desenvolvimento e qualidade de vida seguirão caminhando lado a lado”

Maarten Van Sluys (Consultor Estratégico em Hotelaria – MVS Consultoria)

Instagram: mvsluys e-mail: mvsluys@gmail.com WhatsApp: (31) 98756-3754

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Juros altos acendem a luz amarela para o crédito, dizem especialistas

Em instituições bancárias e financeiras, conseguir um empréstimo ficou ainda mais difícil neste ano, devido ao alto nível dos juros aplicados para a concessão de crédito. A política monetária mais restritiva implementada pelo Banco Central desde o final do ano passado, somada à grande quantidade de inadimplentes no Brasil, faz com que os bancos fiquem ainda mais receosos em oferecer crédito à população.

Diante disso, é necessário avaliar a real necessidade e as melhores opções antes de tomar um empréstimo, na opinião de especialistas. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) para 13,25% ao ano (a.a.), seguindo a tendência apontada, pelo próprio grupo, de promover altas mais fortes da Selic no início do ano. Em comunicado publicado na última reunião de 2024, o Copom justificou a elevação de um ponto percentual da taxa às incertezas externas e aos ruídos provocados pelo pacote fiscal do governo federal, apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em novembro, e aprovado pelo Congresso Nacional no mês seguinte.

Além de apontar as principais causas para o aumento da Selic, o comitê adiantou que haveria mais duas elevações de 1 ponto percentual nas primeiras duas reuniões de 2025. Uma já foi, e agora se espera que o BC mantenha a previsão para o encontro dos próximos dias 18 e 19 de março. De acordo com o último Boletim Focus, publicado no dia 24 de fevereiro, o mercado previa uma Selic de 15% ao final deste ano.

Além disso, as análises levantadas pelo Banco Central, responsável pela publicação do relatório, apontam que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano acumulada em 5% nos 12 meses de 2025. Se a previsão se tornar realidade, o Brasil atingirá uma taxa de juros real — que desconta a inflação — de dois dígitos, em 10%, ao final de dezembro, consolidando-se na primeira colocação entre as nações com a maior taxa real do mundo.

A alta de juros e a inflação têm um impacto significativo na tomada de crédito, afetando tanto consumidores quanto empresas, ressalta o CEO do Mêntore Bank, Vanderson Aquino. “Com a alta dos juros, as taxas de empréstimos e financiamentos aumentam. Isso torna o crédito mais caro, o que pode desestimular as pessoas a tomarem empréstimos ou financiamentos”, explica. Já no caso das empresas, o executivo destaca que há uma valorização no custo de capital também, o que pode levar a uma redução nos investimentos e expansão. “Consequentemente, a diminuição na demanda por crédito faz com que taxas de juros subam e a capacidade de pagamento das pessoas e empresas diminua, o que pode reduzir a demanda na procura por crédito.

Além disso, com a inflação, os consumidores podem priorizar o consumo de bens essenciais, deixando de lado compras financiadas”, acrescenta Aquino. O aumento da inflação e dos juros também deve resultar em um perfil de crédito mais rigoroso por parte das instituições financeiras. Diante disso, pessoas com renda instável ou empresas em setores mais vulneráveis podem ter mais dificuldade em obter empréstimos. “Resumindo, tanto a alta de juros quanto a inflação tornam o crédito mais caro e difícil de acessar, o que afeta negativamente o consumo e os investimentos, podendo desacelerar a economia”, conclui Aquino.

A adoção de critérios mais rigorosos por parte dos bancos faz parte do chamado “Custo Brasil”. O termo é amplo e se refere a ineficiências na legislação e na regulamentação brasileira que dificultam o avanço da atividade econômica. Nesse contexto, o coordenador dos cursos de Economia, Gestão Pública e Gestão Financeira do Iesb, Riezo Almeida, avalia que este cenário intensifica a inadimplência e, consequentemente, os custos para a obtenção de crédito. “Poucos cidadãos, que não possuem educação financeira, deixam de honrar seus empréstimos e prejudicam os bons pagadores, portanto o aumento dos juros não é justificável por parte dos bancos, mas é uma praxe”, avalia.

O coordenador ainda acredita na possibilidade de negociação entre as instituições e a população, por meio de programas de crédito direcionados a setores estratégicos ou políticas públicas que incentivem investimentos. Diante disso, as propostas poderiam ser benéficas às empresas, que são um dos segmentos mais afetados com a queda da atividade econômica.

Almeida lembra que o cenário de juros altos pode resultar em aumento nos custos de financiamento e redução na demanda por produtos e serviços, devido ao menor poder de compra dos consumidores. “Investir na economia criativa, ou seja, ofertar alternativas de empréstimos com juros menores em um prazo menor, por exemplo, beneficiaria a todos”, considera. Por outro lado, o advogado e doutor em Economia Humberto Veiga, acredita que há possibilidades para os empresários que buscam formas de financiamento sem correr sérios riscos de inadimplência.

“Haverá dificuldades. Mas são dificuldades pelas quais as pessoas já passaram e elas sabem navegar. Então, eu creio em um futuro melhor. Eu creio que a economia brasileira está em processo de melhora, ela não está em processo de piora”, avalia. Veiga ressalta que o país já conviveu com cenário de taxas reais de juros muito elevadas, como nos anos 1980 e 1990, quando a taxa Selic chegou a ficar acima de 50%, durante o governo do ex -presidente Fernando Henrique Cardoso. “Acho que se a gente olhar o que o Brasil já passou, nós viemos de taxa de inflação de 80% ao mês para uma taxa de inflação que o pessoal está fazendo um escândalo e nós estamos em 5% ao ano”, pontua.

Diante disso, o advogado considera que aproveitar as oportunidades, quando surgirem, é um passo importante para evitar o pessimismo e levar à frente o próprio negócio. “O empresário é um guerreiro. Ele está procurando sobreviver em uma selva diária. Então todo dia aparecem desafios, aparece a concorrência, tem uma série de coisas, mas também, é outro que, se sobrevive, é um vencedor””, conclui Veiga.

Para o consumidor que planeja obter créditos para fins mais específicos, o consultor econômico da Leroy Group, Felipe Diniz Leroy, reconhece que, com uma Selic elevada, os bancos provavelmente irão continuar ajustando suas taxas de juros internas, especialmente no crédito pessoal e em financiamentos voltados a pessoas jurídicas.

Consequentemente, isso resulta em juros mais altos em cartões de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos, tornando o crédito menos acessível. Para quem não quer deixar de contratar empréstimos para mais tarde, priorizar formas de crédito mais baratas, como crédito consignado, é opção para quem tem um vínculo formal de trabalho — avalia o consultor — por ser uma das opções mais acessíveis, com parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento, resultando em taxas de juros menores.

“Outra forma é o financiamento com taxas controladas, como os oferecidos por cooperativas de crédito ou algumas fintechs, que podem ter taxas de juros mais baixas que os bancos tradicionais”, acrescenta. Leroy elenca, ainda, três dicas para evitar os juros abusivos: ter planejamento financeiro, evitar o cartão de crédito, quando possível, e negociar dívidas existentes. “Caso já haja algum tipo de débito, vale a pena tentar uma renegociação com os credores. Muitas vezes, bancos e instituições financeiras oferecem condições melhores, especialmente em tempos de crise, se o cliente estiver disposto a buscar alternativas”, explica o consultor.